Julho Amarelo: Infectologista alerta população sobre as hepatites virais

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Julho foi adotado pelo Ministério da Saúde e pelo Comitê Estadual de Hepatites Virais como o mês de luta e prevenção das hepatites virais. A ação é baseada na meta de erradicar a hepatite C até 2030.

Segundo o Ministério da Saúde, milhões de pessoas no Brasil são portadoras do vírus das hepatites B e C e não sabem, correndo o risco de evoluírem para a doença crônica, cujas consequências mais graves são a ocorrência de cirrose ou câncer hepático.

O Brasil registrou 40.198 casos novos de hepatites virais. O Boletim Epidemiológico 2018 informa que os casos da doença são maiores em homens de 20 a 39 anos.

Entrevistamos o infectologista, Dr. Luis Mazzetto que falou sobre o assunto e destacou que o maior desafio quando se fala em hepatites virais atualmente é o diagnóstico, principalmente das Hepatites Crônicas B e C, pois a maioria dos portadores desses vírus não possuem sintomas.

Confira a entrevista completa:

O que são as hepatites virais?

Hepatites virais são doenças que acometem o fígado gerando um processo inflamatório agudo e que em alguns casos pode tornar-se crônico (quando essa inflamação persiste por mais de 6 meses) e a longo prazo levar a um quadro de cirrose, insuficiência hepática e aumento do risco de desenvolvimento de câncer no fígado. São doenças causadas por vírus que possuem uma grande afinidade pelo tecido hepático. Os mais comuns no Brasil são:

Vírus da Hepatite A (HAV): de transmissão fecal-oral (água e alimentos contaminados), atinge principalmente crianças e em locais com condições sanitárias precárias. Não cronifica a infecção mas podem ocorrer casos agudos graves. É prevenível por vacinação.

Vírus da Hepatite B (HBV): transmitido por relações sexuais desprotegidas (infecção sexualmente transmissível-IST), por via parenteral (exposição a sangue de um portador da doença, como compartilhamento de agulhas, lâmina de barbear, alicate de unha, procedimentos médico-cirúrgicos ou odontológicos com materiais não limpos ou esterilizados) e transmissão vertical (da mãe para o bebê). Após a infecção pode evoluir para cura ou cronificação. É prevenível por vacina e em alguns casos de exposição acidental ou bebês filhos de mãe portadoras também por imunoglobulina.

Vírus da Hepatite C (HCV): transmitido basicamente por via parenteral (exposição a sangue de um portador da doença). Após a infecção poucos casos evoluem para cura espontânea e a maioria torna-se uma infecção crônica. Não existe vacina contra o Vírus da Hepatite C até o momento, nem imunoglobulina.

Também existem outros vírus que causam Hepatites, mas são pouco frequentes, principalmente na nossa região:

Vírus da Hepatite D ou Delta (HDV): mais comum na região norte do Brasil e que só acomete portadores da Hepatite B.

Vírus da Hepatite E (HEV): semelhante à Hepatite A, de transmissão fecal-oral, pode ocasionar surtos e circular entre animais de criação (zoonose).

Qual o grande desafio para combater as hepatites virais?

O maior desafio quando falamos em hepatites virais atualmente é o diagnóstico, principalmente das Hepatites Crônicas B e C, pois a maioria dos portadores desses vírus não possuem sintomas, podem evoluir com as complicações já citadas (cirrose, câncer de fígado) e transmitir a doença para outras pessoas sem saber, principalmente as que têm um convívio mais próximo.

Quais outros cuidados e formas de prevenir as hepatites?

A principal forma de prevenção das Hepatites A e B é a vacinação.

Em casos específicos também há indicação da imunoglobulina contra a Hepatite B.

Quando o paciente descobre ser portador de alguma Hepatite Crônica B ou C também é importante protegem o parceiro sexual utilizando preservativos durantes as relações sexuais e não compartilhar objetos que possam lesar a pele ou as mucosas acumulando sangue em suas superfícies, como alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dente.

Existem tratamentos? Quais?

Existem tratamentos para as Hepatites e são diferentes para cada vírus e de acordo com a situação clínica do paciente. O ideal é que se faça o diagnóstico da infecção o mais precocemente possível, antes de complicações como a cirrose ou o câncer de fígado, evitando desse modo o transplante de fígado e reduzindo a mortalidade causada por essas doenças.

Na maioria dos casos de Hepatite Viral Crônica B há necesdidade apenas de seguimento dos portadores assintomáticos. Em algumas situações é necessário o uso de medicamentos continuamente para reduzir a replicação do vírus e a inflamação no fígado, mas com poucas chances de cura, apenas controle da doença.

Já para os portadores de Hepatite Viral Crônica C surgiram nos últimos anos medicamentos extremamente eficazes e com poucos efeitos colaterais, que agem diretamente sobre o ciclo de replicação do vírus, os chamados DAAs (Direct Acting Antivirals). A taxa de cura da infecção pelo HCV passou a ser superior a 95% com o uso desses medicamentos, após 8 a 24 semanas de tratamento, dependendo do tipo de vírus e das características do paciente.

Os tratamentos estão disponíveis pelo SUS e em Ourinhos existe um ambulatório específico, o SAEDI (Serviço Ambulatorial Especializado em Doenças Infecciosas), que atende portadores das Hepatites Virais B e C e pessoas que vivem com HIV/Aids.

Serviço

SAEDI Ourinhos: Rua Venceslau Brás, 31 (ao lado do Postão). Telefone: (14) 3302-6101. Coordenadora: enfermeira Marcela.

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