10% da população adulta tem algum grau de doença renal crônica e não sabe

nefrologista

Neste dia 14 de março é comemorado o Dia Mundial do Rim. Este ano a campanha desenvolvida pela Sociedade Internacional de Nefrologia traz a prevenção como foco principal apresentado e discutido com a população. Um dado extremamente relevante é que estima-se que 10% da população adulta tem algum grau de doença renal crônica e não sabe. Além disso, mais de 120 mil pessoas no Brasil realizam o tratamento de hemodiálise.

O médico nefrologista e diretor do Serviço de Terapia Renal da Santa Casa de Ourinhos, Dr. Luiz Roberto Migliari de Carvalho falou sobre o assunto, a gravidade que esta doença silenciosa pode causar nas pessoas e também a importância dos cuidados para evitar os fatores como hipertensão e diabetes, que são as principais causas para ter a doença renal.

Quais as dicas de conscientização para a população neste Dia Mundial do Rim?
– Dr. Luiz Roberto Migliari de Carvalho: O Dia Mundial do Rim foi criado em 2006 pela Sociedade Internacional de Nefrologia visando à prevenção. Cada ano é trabalhado um tema. Em 2019 é “Saúde para Todos”. A ideia é divulgar o risco do problema da doença renal, que é séria, silenciosa, pode acometer indivíduos de qualquer faixa etária, mas principalmente pessoas a partir dos 65 anos, hipertensas e diabéticas. Estima-se hoje que 10% da população adulta tem algum grau de doença renal crônica e não sabe. É o que chamamos fenômeno do iceberg, que é quando se olha apenas o que está visível acima da linha do oceano, e para baixo não sabemos o que tem.

Essa prevenção pode começar desde criança para evitar o problema renal no futuro?
Um dos temas da campanha já teve foco na criança. A criança para desenvolver uma doença renal crônica tem que ter uma doença de base, com histórico familiar, ter uma anomalia congênita das vias urinárias, mas felizmente são casos raros. Hoje pacientes abaixo dos 18 anos não chegam a 7% de pacientes em diálise. Em crianças pequenas (menores de 10 anos) a doença drenar crônica é extremamente debilitante.

Quando falamos da prevenção desde criança, precisamos saber se ela é obesa, hipertensa, se tem uma alimentação com excesso de sal. Hoje come-se muito e come-se mal. A criança é vulnerável a comer errado, o que pode gerar problema futuro como hipertensão, diabetes e ser tornar um adulto de risco.

Independente da idade, a doença do rim pode aparecer a qualquer momento na vida da pessoa?
A gente frisa muito a faixa etária dos 60, 65 anos, mas tem os de maior risco , como nos casos de obesidade, que é fator de risco para doença renal, além do tabagismo que também piora a doença renal. Ou seja, a obesidade, tabagismo, hipertensão e diabetes são quatro fatores de riscos importantes para desenvolver a doença renal, os quais podem ser evitados.

A doença renal é uma causa ou consequência?
É muito mais consequência do que causa. Diria que os pacientes que iniciam diálise, 80-90% é um combinado de hipertensão, diabete ou outra doença. 10% tiveram uma doença primária dos rins, ou seja, o problema começou no rim e a pressão alta veio depois. Geralmente é o inverso, o rim é mais vitima do que a causa. Vitima da hipertensão, da diabetes, da obesidade, do cigarro, e hoje a população vive mais, há cura para as doenças mais graves, a sobrevida aumenta, a população envelhece mais e o rim está durando menos. Temos pacientes na clínica de 88 anos fazendo hemodiálise, e estão bem. É uma equação de muitas variáveis e temos que trabalhar todas as frentes: prevenção, se não conseguir prevenir a hipertensão tem que tratar bem o paciente, se ele já tem algum grau de lesão de rins temos que monitorar de perto e se vejo que o rim caminha para a falência, tenho que preparar esse paciente para diálise e estudar a viabilidade do transplante.

A clínica está equipada e preparada para um tratamento eficaz?
Temo um staff de 35 colaborardes entre médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos de enfermagem, nutricionista, equipe de manutenção, administrativo, e somos uma clínica de médio porte, temos 150 pessoas em tratamento de diálise permanente, mais consultas externas e ambulatórios pré-diálise. O Ambulatório tem mais de 300 pacientes cadastrados fora os outros serviços que atendemos na cidade.
A clínica tem toda estrutura de equipamento, mas é necessário investimentos. Os equipamentos são caros, importados e precisamos sempre investir. É como frota de caminhão, que sempre está rodando, degasta uma peça e precisa substituir e, às vezes, trocar o equipamento todo. Isso dificulta a manutenção dos serviços vinculados ao tratamento ao SUS porque o reembolso está muito abaixo do que o custo representa. A tabela está 70% defasada e precisa melhorar essa tabela para investir no tratamento. Temos um plantel de máquinas para suprir a demanda, mas vão se desgastando com o tempo e logo precisarão ser substituídas. Estamos aguardando uma emenda federal que vai nos beneficiar com novos equipamentos.

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